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O Rei do Gado
Informação geral
Formato Telenovela
Gênero Drama
Romance
Suspense
Duração 75 minutos
Criador(es) Benedito Ruy Barbosa
País de origem  Brasil
Idioma original Português
Produção
Diretor(es) Luiz Fernando Carvalho
Elenco Antônio Fagundes
Glória Pires
Patrícia Pillar
Letícia Spiller
Marcello Antony
Leonardo Brício
Manuel Boucinhas
Tarcísio Meira
Eva Wilma
Cláudio Corrêa e Castro
Raul Cortez
Fábio Assunção
Carlos Vereza
Vera Fischer
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Tema de abertura "Rei do Gado" - Orquestra da Terra
Tema de
encerramento
"Rei do Gado" - Orquestra da Terra
Exibição
Emissora de
televisão original
Brasil Rede Globo
Formato de exibição 480i (SDTV)
Transmissão original 17 de junho de 1996 - 14 de fevereiro de 1997
N.º de episódios 209 (original)
110 (primeira reprise)
Cronologia
Último
Último
O Fim do Mundo
A Indomada
Próximo
Próximo
Programas relacionados Meu Pedacinho de Chão
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Sinhá Moça
Renascer
Terra Nostra

O Rei do Gado é uma telenovela brasileira produzida pela Rede Globo e exibida no horário das 20 horas, entre 17 de junho de 1996 e 14 de fevereiro de 1997, em 209 capítulos,[1] substituindo O Fim do Mundo e sendo substituída por A Indomada.

Escrita por Benedito Ruy Barbosa com a colaboração de Edmara e Edilene Barbosa e dirigida por Carlos Araújo, Emílio di Biase e José Luiz Villamarim, com direção geral e núcleo de Luiz Fernando Carvalho.[2]

Contou com Antônio Fagundes, Glória Pires, Patrícia Pillar, Letícia Spiller, Marcello Antony, Leonardo Brício, Manuel Boucinhas, Tarcísio Meira, Eva Wilma e Cláudio Corrêa e Castro, Raul Cortez, Fábio Assunção, Carlos Vereza e Vera Fischer nos papéis principais.

Foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo entre 15 de março e 13 de agosto de 1999, em 110 capítulos, substituindo Quatro por Quatro e sendo substituída pela sua mesma sucessora original A Indomada.

Foi reapresentada na sessão do Canal Viva entre 9 de fevereiro de 2011 e 28 de novembro de 2011, em 209 capítulos, substituindo Por Amor e sendo substituída por Barriga de Aluguel.

Será reapresentada novamente na sessão Vale a Pena Ver de Novo sem reestreia prevista, substituindo Cobras & Lagartos.[3] [4] [5] [6]

Sinopse

Trama principal

Em 1943, durante o período de decadência do café, a bela Giovanna (Letícia Spiller) vive sob ostensiva vigilância dos pais, Marieta (Eva Wilma) e Giuseppe Berdinazi (Tarcísio Meira). A moça descobre a paixão nos braços de Henrico (Leonardo Brício), filho de Nena (Vera Fischer) e Antônio Mezenga (Antônio Fagundes), inimigos ferrenhos de sua família.

Antônio Mezenga é um homem forte, determinado e sofrido. Teve o pai morto na travessia de navio da Itália para o Brasil, no final do século XIX. Conquistou sua lavoura de café com muito sacrifício e costuma vangloriar-se de suas origens e obstinação dizendo: “Meu pai emprenhô minha mãe debaixo de um pé de oliva, na Itália; e ela me pariu aqui, debaixo de um pé de café.”

Giuseppe Berdinazi, pai de Giovanna, é igualmente passional ao defender seus interesses. Também imigrante italiano e proprietário de uma fazenda de café, vive em guerra declarada com o vizinho Mezenga por causa de uma faixa de terra na divisa das duas fazendas. É um pai severo, porém carinhoso, mas espera que os quatro filhos nutram pelos Mezenga o mesmo ódio que o corrói. Sofre grande desgosto quando Giovanna declara seu amor por Henrico, e aceita o casamento apenas pela promessa de receber o pedaço de terra que disputa há anos. O acordo não é cumprido, e Berdinazi tranca a filha em casa, a sete chaves. O esforço é em vão: Giovanna foge com o marido.

Berdinazi termina seus dias louco, inconformado com a traição da filha e com a morte do filho mais velho, Bruno (Marcello Antony), na Segunda Guerra Mundial, durante a tomada do Monte Castelo, na Itália. Giovanna e Henrico começam uma nova vida longe das famílias e dos cafezais. O primeiro emprego de Henrico é como peão boiadeiro numa pequena fazenda. Aos poucos, o rapaz começa a criar o próprio rebanho, e Giovanna dá à luz um menino.

A segunda fase da novela tem início no final do sétimo capítulo, em 1996, quando o filho de Henrico e Giovanna já é um rico proprietário de terras e de milhares de cabeças de gado. Bruno Berdinazi Mezenga (Antônio Fagundes) – nome que recebeu em homenagem ao tio morto na Segunda Guerra – é conhecido por todos como o “Rei do Gado”. Com as referências do pai, escolheu o sobrenome Mezenga para sua assinatura, deixando de lado o Berdinazi e a história de sua família materna. Ele é um obstinado pelo trabalho, querido por seus amigos e empregados. Embora casado com Léia (Silvia Pfeifer), e pai dos jovens Marcos (Fábio Assunção) e Lia (Lavínia Vlasak), Bruno é um homem solitário, dedicado integralmente aos negócios. Léia, por sua vez, é amante do mau-caráter Ralf (Oscar Magrini), que só está interessado no dinheiro que ela pode lhe dar.

Um personagem fundamental na segunda fase de O Rei do Gado é Geremias Berdinazi (Raul Cortez), irmão de Giovanna. Rico e poderoso, seus negócios estão ligados à cafeicultura e à produção de leite. Apesar de muito bem-sucedido, é um homem cheio de culpa por ter construído seu império traindo a família. Primeiro, uniu-se ao irmão Giácomo Guilherme (Manoel Boucinhas) para roubar as terras da mãe e da irmã. Depois, roubou também o irmão, deixando que ele morresse na pobreza. Arrependido, vive ansioso para encontrar um herdeiro, já que não reconhece Bruno Mezenga como seu sobrinho. Geremias acaba sendo enganado pela impostora Marieta (Glória Pires), que se faz passar por sua sobrinha, filha de Giácomo. A moça levanta as suspeitas de Judite (Walderez de Barros), fiel e ciumenta criada do fazendeiro, que desconfia que Marieta quer roubar a fortuna do patrão.

O debate sobre posse de terra se amplia na trama quando uma das fazendas de Bruno Mezenga é invadida por um grupo liderado por Regino (Jackson Antunes), um sem-terra contrário à violência e à radicalização do movimento – marcando o tom conciliatório do autor em relação à questão. Regino critica a ocupação de terras produtivas e se opõe à corrupção que envolve a desapropriação de terras por parte do governo. É um idealista, e seu lema na luta pela reforma agrária é “terra, sim; guerra, não”. O personagem vive um dilema com a mulher, Jacira (Ana Beatriz Nogueira), sua brava companheira na marcha. Saudosa da quietude de uma casa onde possa criar o filho com tranquilidade, ela discorda do ideal do marido de querer resolver o problema de todos à sua volta. A discussão ganha a adesão do incorruptível senador Roberto Caxias (Carlos Vereza), político dedicado, defensor dos direitos das minorias. Idealista e responsável, ele passa os fins de semana em Brasília, e não falta a uma sessão no Congresso Nacional. Muito amigo de Bruno, é a ele que o fazendeiro recorre quando suas terras são invadidas. Ao longo da trama, Caxias se envolve na luta pela reforma agrária.

Entre o grupo dos sem-terra está a bela e valente Luana (Patrícia Pillar), a verdadeira sobrinha de Geremias. Sobrevivente de um acidente que matou sua família, Luana desconhece a própria origem. Já no primeiro encontro com Bruno Mezenga, ela desperta o amor do pecuarista, que a emprega em uma de suas fazendas. Tratada com a dignidade e o carinho que nunca teve, Luana se encanta por Bruno, e os dois se envolvem numa forte história de amor. Juntos, ambos passam por duras adversidades, até que Luana engravida e desperta a ira de Léia, que vê ameaçada sua parte na herança do marido.

No final da novela, Luana e Bruno têm um filho, e ela convence o marido a registrar a criança também com o sobrenome Berdinazi. O menino é batizado como Felipe Berdinazi Mezenga. Após muitas brigas e disputas por terras, Bruno e Geremias se reconciliam, em cenas de grande emoção. Geremias reconhece Luana como sobrinha, e as duas famílias se enlaçam, num clima de alegria e pressa de viver a harmonia sempre adiada. Para completar a felicidade, Giuseppe (Emilio Orciollo Netto), sobrinho que Geremias desconhecia, surge no final da trama.

Judite e Geremias terminam juntos, num romance inesperado, pontuado de ternura e cumplicidade. Numa das últimas cenas da novela, ela enche a banheira e se deita sob a espuma, cantarolando Mama bem alto. Ele se aproxima intrigado com tamanha animação e a recrimina. Ela tenta seduzi-lo, puxando-o para dentro da banheira, e ele desabada dentro d’água. Os dois se abraçam, e a câmera vai mostrando as roupas dele sendo jogadas para fora da banheira.

Na última cena, sobre a imagem de milhões de pés de café, lavouras de soja, milho e cana de açúcar, sobe um letreiro que diz: "Deus, quando fez o mundo, não deu terra pra ninguém, porque todos os que aqui nascem são seus filhos. Mas só merece a terra aquele que a faz produzir, para si e para os seus semelhantes. O melhor adubo da terra é o suor daqueles que trabalham nela”. A câmera volta para Bruno Mezenga e Geremias Berdinazi, que aparecem discutindo, em meio a um imenso cafezal, deixando no ar a pergunta: “vai começar tudo de novo?”.

Tramas paralelas

Amor bandido

Chamou a atenção na trama a relação doentia de Léia (Silvia Pfeifer) com o amante, Ralf (Oscar Magrini). Ela dá dinheiro a ele, sustentando sua vida fácil, que inclui outras amantes. Malandro fino e envolvente, Ralf está de olho na fortuna que receberá no caso de Léia se divorciar de Bruno Mezenga (Antônio Fagundes). Mas o marido desconfia da traição, põe um detetive para espioná-los e arma um flagrante; em seguida, abandona a esposa. Ralf também rompe com a amante que, desesperada, implora por seu amor. Ele a esbofeteia, dando início a uma história de violência e coerção, em que a obriga a extorquir dinheiro de Bruno e a aceitar sua vida de cafajeste. Volta e meia, Ralf a espanca.

Zé do Araguaia

Outro grande personagem da novela é Zé do Araguaia (Stênio Garcia), que traz no nome a região em que nasceu e foi criado, Goiás, onde também fica a principal fazenda de Bruno Mezenga (Antônio Fagundes), seu patrão. Ele ajudou o pecuarista a derrubar as primeiras árvores e plantar suas pastagens iniciais. Zé recebe Luana (Patrícia Pillar) de braços abertos quando a moça chega à fazenda e, junto com a mulher, Donana (Bete Mendes), adota a moça como a filha que não teve. Ambos têm grande respeito e carinho pelo patrão, mas não medem palavras para dizer-lhe o que pensam, formando a dupla de conselheiros de Mezenga. Em determinado momento da trama, o avião em que o empresário viaja cai na região, e ele desaparece. O copiloto é encontrado morto. São 18 capítulos de angústia e suspense, até que Mezenga reaparece, vivo, às margens do rio.

Produção

Roteiro

Em O Rei do Gado, Benedito Ruy Barbosa retorna as discussões sobre a reforma agrária, abordada anteriormente em sua outra telenovela, Meu Pedacinho de Chão, e a vida dos trabalhadores do Movimento dos Sem Terra (MST) pela luta da posse de terras. Paralelamente a estes temas e do romance da primeira fase de O Rei do Gado, Benedito Ruy Barbosa retratou a época que viveu pessoalmente. Na juventude, o autor morou em fazendas e acompanhou o recebimento do café, aprendeu a selecionar os grãos, conferir o peso, ver a amostragem das impurezas e o tempo da broca, etapas que mostrou na telenovela.[2] A primeira fase mostrou a decadência do ciclo do café e a inserção do Brasil na Segunda Guerra Mundial. A segunda fase mostrou a modernização e a riqueza do interior paulista através de Ribeirão Preto. A capital São Paulo e a região do Araguaia também serviram de cenário para a trama.[7]

Na última cena da telenovela, sobe sobre milhares de pés de café, lavouras de soja, milho e cana de açúcar, um letreiro que diz: "Deus, quando fez o mundo, não deu terra pra ninguém, porque todos os que aqui nascem são seus filhos. Mas só merece a terra aquele que a faz produzir, para si e para os seus semelhantes. O melhor adubo da terra é o suor daqueles que trabalham nela". E a câmera volta em Bruno Mezenga e Geremias Berdinazi, em meio àquele imenso cafezal, como se os dois estivessem discutindo, e deixa a pergunta: "vai começar tudo de novo?"[7]

Gravação

Foi construída uma cidade cenográfica no Projac onde ficava a sede da maior fazenda da trama, do personagem Bruno Mezenga, com dois pavimentos de 600m² de construção.[8] A fazenda foi feita pelo cenógrafo Raul Travassos, sendo até então a maior casa feita por ele e idealizada para gravações externas e internas,[8] e onde só as paredes eram cenográficas, mesmo assim ganharam revestimento de argamassa. O chão era de pedra e tijolo, as vigas de maçaranduba, o teto de pau do mato e eucalipto, e portas e janelas foram feitos com madeira de demolição.[8] Fora do Projac, foram utilizados pelo menos cinco pólos de produção: Itapira, Ribeirão Preto[9] e Amparo[9] no estado de São Paulo, Guaxupé em Minas Gerais e Aruanã em Goiás, por onde se espalhavam as fazendas usadas como locação.[7] As paisagens bucólicas da região do Araguaia, onde ficava uma das fazendas do personagem Bruno Mezenga, era uma área formada por ecossistemas típicos do Pantanal, da Floresta Amazônica e do Cerrado, abrigando extensa diversidade de flora e fauna.[8] As cenas da primeira fase se passavam durante a Segunda Guerra Mundial e a equipe da telenovela viajou à cidade de Craco, uma das regiões mais pobres da Itália. Com cerca de 300 figurantes, foram reconstituídas cenas de batalhas, sendo filmadas em película 16 mm, própria para cinema, e em preto-e-branco. Na Itália, também foram feitas algumas seqüências na comuna italiana Guardia Perticara e no monumento dos pracinhas brasileiros, na Toscana.[10]

O diretor Luiz Fernando Carvalho dirigiu sozinho toda a primeira fase. Só na segunda, passou a dividir o trabalho com Carlos Araújo, Emílio di Biasi e José Luiz Villamarim. A telenovela contou com a fotografia de Walter Carvalho, para reforçar o estilo cinematográfico do diretor.[11] Para dar o tratamento da luz na primeira fase da novela, Luiz Fernando se inspirou na Pintura da Itália, do final do século XIX até a era romântica. A intenção era captar a atmosfera dos imigrantes no Brasil do interior de São Paulo na década de 1940. Segundo o diretor, em vez da luz dilacerada, de cores fortes e altos contrastes de Renascer (1993), quando estudou pintores baianos, em O Rei do Gado a luz criava uma atmosfera mais tênue, clara, sem muitos claros e escuros, afirmando no lançamento da telenovela que "tinha que passar a impressão de que a luz tem cheiro, um perfume, não é ardida, não bate no rosto da pessoa, mas perfuma, como se estivesse em volta dela, e não sobre ela".[11]

A maquiagem para caracterizar os personagens que eram imigrantes trabalhadores da terra, queimados pelo sol e endurecidos pelo tempo, a equipe supervisionada por Isabel Arbizu fez um curso com Ve Neill, maquiadora de Hollywood, indicada ao Oscar 1993 na categoria de melhor maquiagem feita em Jack Nicholson no filme Hoffa (1992), dirigido por Danny DeVito.[12] Para isso, fotos em close dos atores, com todas as medidas necessárias, foram enviadas à maquiadora que, em seguida, veio ao Brasil para treinar as profissionais da telenovela com o material que seria usado.[12]

Preparação do elenco

Alguns atores como Letícia Spiller e Patrícia Pillar se submeteram a laboratórios, onde ensaiaram com a atriz e bailarina Gisela Rodrigues, professora e pesquisadora do Departamento de Artes Corporais da Unicamp, para comporem suas caboclas.[2] No caso de Patrícia Pillar, ela passou dez dias entre os cortadores de cana de açúcar para compor Luana.[7] Leonardo Brício, Caco Ciocler, Manuel Boucinhas e Marcello Antony fizeram laboratórios para interpretarem rapazes da roça, sob coordenação do diretor Emílio de Biase. Eles viajaram para a região de Amparo, em São Paulo, onde tiveram várias aulas com os colonos locais, aprendendo montaria e cavalgagem, baterem feijão e colheita do café, entre outras atividades.[2] Durante a produção, foi prometido ao elenco um intervalo de pelo menos um mês entre as duas fases da telenovela. Antônio Fagundes, que fazia o avô na primeira e o neto na segunda da história, engordou para o primeiro personagem e esperava perder peso até a outra fase. Mas o intervalo foi de apenas 12 horas. Segundo o ator, os sete capítulos da primeira fase levaram cerca de três meses para ficar prontos, tamanho o capricho e a dedicação da equipe.[2]

Stênio Garcia, Bete Mendes, Antônio Fagundes e Patrícia Pillar foram escalados para passar um tempo no Mato Grosso pesquisando a região, suas paisagens e os moradores locais. No estado, Stênio e Bete tinham a responsabilidade de representar o clima bucólico da vida rural brasileira. Em depoimento ao Memória Globo, o ator contou que, ao trabalhar sobre a foto de Zé das Águas – um habitante local no qual os passarinhos gostavam de pousar –, ele pôde vislumbrar um personagem já realizado. A imagem havia sido um presente do poeta Manoel de Barros ao ator.[2]

O Rei do Gado marcou a estreia na Rede Globo de Marcello Antony, Caco Ciocler, Emílio Orciollo Netto e Lavínia Vlasak.[2] Participaram da telenovela os senadores Eduardo Suplicy e Benedita da Silva, que atuaram no funeral do Senador Caxias.

Elenco

em ordem da abertura
Ator/Atriz Personagem
Antônio Fagundes Bruno Berdinazzi Mezenga
Antonio Mezenga (1ª fase)
Glória Pires Rafaela Berdinazzi
Patrícia Pillar Marieta Berdinazzi
Letícia Spiller Giovanna Berdinazzi
Marcello Antony Bruno Berdinazzi
Leonardo Bricio Enrico Mezenga
Manuel Boucinhas Giácomo Guilherme Berdinazzi
Tarcísio Meira Giuseppe Berdinazzi
Eva Wilma Marieta Berdinazzi
Cláudio Corrêa e Castro Tony Vendacchio
Raul Cortez Geremias Berdinazzi
Fábio Assunção Marcos Mezenga
Carlos Vereza Senador Roberto Caxias
Vera Fischer Nena Mezenga
Mariana Lima Liliana Caxias
Stênio Garcia Zé do Araguaia
Lavínia Vlasak Lia Mezenga
Bete Mendes Donana
Sílvia Pfeifer Léia Mezenga
Jackson Antunes Regino
Ana Beatriz Nogueira Jacira
Walderez de Barros Judite
Ana Rosa Maria Rosa Caxias
Sérgio Reis Zé Bento (Saracura)
Almir Sater Aparício (Pirilampo)
Caco Ciocler Geremias Berdinazzi (jovem)
Jairo Mattos Fausto
Rogério Márcico Olegário
Oscar Magrini Ralf
Iara Jamra Lurdinha
Chica Xavier Freira
Luciana Vendramini Marita
Maria Helena Pader Júlia
Amilton Monteiro Detetive Clóvis
Paulo Coronato Dimas

Classificação indicativa

A classificação indicativa da novela originalmente é 'não recomendada para menores de 12 anos'. Sua segunda reprise no Vale a Pena Ver de Novo terá classificação indicativa de 'não recomendada para menores de 10 anos'.[6]

Repercussão

A primeira fase de O Rei do Gado foi muito elogiada e entrou para a galeria das cenas antológicas da televisão brasileira, com enredo emocionante e produção de altíssima qualidade, Benedito definiu que "Num país que precisa abrir o olho para sua realidade, uma novela não pode ser alienante, deve informar o público, ser algo útil à sociedade".[13] [7] O Rei do Gado estreou dois meses após a morte de 19 trabalhadores sem-terra em Eldorado dos Carajás, no Pará, conhecido como Massacre de Eldorado dos Carajás. A reforma agrária e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram abordados pela primeira vez numa telenovela. O tema teve grande repercussão na mídia e na sociedade em geral.[2] O então presidente do MST, João Pedro Stédile disse na época que "A novela ajudou a fazer as pessoas nos olharem de maneira diferente. Nos deu status de cidadãos".[7]

Por outro lado, entre os problemas destacaram-se as falhas técnicas, equívocos de roteiro, excesso de cenas arrastadas e clipes, mau aproveitamento de atores e interpretações inadequadas.[14] [15] [16] [17]

Uma cena da telenovela causou polêmica no Senado. Na trama, o Senador Caxias faz um discurso emocionado sobre os sem-terra, e no plenário estão apenas três senadores: um cochilando, outro lendo jornal e o terceiro falando ao celular. No dia seguinte, o então senador Ney Suassuna subiu à tribuna do senado para protestar contra o que classificou como "distorção da realidade". Segundo ele, a cena induzia a população a acreditar que não havia senadores honestos no país.[18] [7]

Em 6 de setembro de 1996, ao fazer campanha com Luiza Erundina em São Paulo, Luiz Inácio Lula da Silva, que havia emagrecido na época 18 kg, foi apelidado por militantes de O Rei do Gado, título da telenovela da Rede Globo. O petista usava um chapéu e um blusão de couro.[19]

O Rei do Gado recebeu o Certificado de Honra ao Mérito no Festival Internacional de Cinema de São Francisco, concorrendo com 1.525 produções de 62 países. A primeira fase da telenovela, considerada um dos grandes momentos da teledramaturgia brasileira, e cujos sete capítulos mostravam a decadência do ciclo do café e a participação do Brasil na II Guerra Mundial, foi transformada pela Divisão Internacional da Rede Globo na minissérie Giovanna e Henrico. A obra foi selecionada como hors-concours no Festival Banff, do Canadá, entre 720 produções de 38 países.[7]

O Rei do Gado foi satirizada pelo Casseta & Planeta, Urgente! com três títulos: O Rei Drogado, O Rei Cagado e O Rei do Galho, como o grupo fazia com todas as telenovelas do horário nobre da emissora. A Rádio Jovem Pan não deixou barato: Satirizou a novela com o título O Rei Tardado, chegando a lançar um CD com os "capítulos" da radionovela.

Exibição

Foi exibida pela Rede Globo no horário das 20 horas, entre 17 de junho de 1996 e 14 de fevereiro de 1997, em 209 capítulos,[2] substituíndo O Fim do Mundo e sendo substituída por A Indomada.

Foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo entre 15 de março e 13 de agosto de 1999, em 110 capítulos, substituíndo Quatro por Quatro e sendo substituída pela sua mesma sucessora original A Indomada.

Foi reapresentada na sessão do Canal Viva entre 9 de fevereiro de 2011 e 28 de novembro de 2011, em 209 capítulos, substituíndo Por Amor e sendo substituída por Barriga de Aluguel.

Será reapresentada novamente na sessão Vale a Pena Ver de Novo sem reestreia prevista, substituindo Cobras & Lagartos.[20] [21]

Exibição internacional

Argentina, África do Sul, Canadá, Cuba, Grécia, Nicarágua, Noruega, Polônia e Rússia foram alguns dos mais de 30 países que exibiram O Rei do Gado.[2]

Audiência

O Rei do Gado estreou com pico de audiência de 55 pontos e média de 51 pontos, cerca de 7 milhões de telespectadores na Grande São Paulo.[22] A média mensal foi de 52 pontos no Ibope, o equivalente a 4,2 milhões de telespectadores na Grande São Paulo, com cada ponto equivalente a cerca de 80 mil telespectadores.[23] A audiência de O Rei do Gado não foi das melhores, quando comparada com o Ibope de antigos sucessos das oito na Rede Globo como foram as audiências mensais de Renascer (de 58 a 63 pontos) e Fera Ferida (58 pontos).[23] O Rei do Gado, no entanto, teve a melhor performance entre as exibidas desde meados de 1994, superando os índices de O Dono do Mundo (47 pontos), Explode Coração (entre 43 e 53 pontos) A Próxima Vítima (entre 45 e 53 pontos) e Pátria Minha, (de 44 e 48 pontos).[23] Durante os capítulos em que o personagem Ralf, foi assassinado, a trama atingiu 57 pontos.[24] Um outro índice do Ibope, o Audiência Domiciliar por Programa, que é semanal, revela que O Rei do Gado atingiu seu pico entre 23 e 29 de setembro de 1996, quando Bruno Mezenga reapareceu, após sofrer acidente de avião no Araguaia. Naquela semana, a telenovela teve média de audiência de 58 pontos.[23] Em seu último capítulo, registrou 60 pontos.[25]

Na semana de 5 a 11 de agosto de 1996, na Grande Rio, a telenovela atingiu 48% de audiência, o que equivale a 1.189.000 domicílios.[26]

Reprise

Foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo entre 15 de março e 13 de agosto de 1999, em 110 capítulos, substituíndo Quatro por Quatro e sendo substituída pela sua mesma sucessora original A Indomada.

Na casa dos 25 pontos no Vale a Pena Ver de Novo, O Rei do Gado chegou a ter mais audiência que a então novela das seis, Pecado Capital.[27] Em 13 de maio de 1999, O Rei do Gado registrou média de 30 pontos no Ibope, novamente com audiência maior do que a quinta temporada de Malhação e da posterior novela das seis da época, Força de um Desejo.[28]

Foi reapresentada na sessão do Canal Viva entre 9 de fevereiro de 2011 e 28 de novembro de 2011, em 209 capítulos, substituíndo Por Amor e sendo substituída por Barriga de Aluguel.

Será reapresentada novamente na sessão Vale a Pena Ver de Novo sem reestreia prevista, substituindo Cobras & Lagartos.[29] [30]

Prêmios

Trilha sonora

A sua primeira trilha sonora bateu um recorde: o disco O Rei do Gado 1 vendeu mais de 1,5 milhões de cópias (entre LP´s e CD´s).[7]

Volume I

O Rei do Gado Volume I
Trilha sonora de Vários artistas
Gênero(s) Vários
Idioma(s) Português
Formato(s) Vinil, K7
Gravadora(s) Som Livre

Capa: Patrícia Pillar

  1. "Rei do Gado" - Orquestra da Terra (tema de abertura)
  2. "Coração Sertanejo" - Chitãozinho & Xororó (tema de Bruno Mezenga)
  3. "Admirável Gado Novo" - Zé Ramalho (tema do núcleo dos sem-terras)
  4. "La Forza Della Vita" - Renato Russo (tema do senador Caxias)
  5. "Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo" - Roberta Miranda (tema de Léa)
  6. "Correnteza" - Djavan (tema de Luana)
  7. "À Primeira Vista" - Daniela Mercury (tema de Liliana e Marcos)
  8. "Sem Medo de Ser Feliz" - Zezé Di Camargo & Luciano (tema de Ralf)
  9. "Doce Mistério" - Leandro & Leonardo (tema de Lia e Pirilampo)
  10. "Vaqueiro de Profissão" - Jair Rodrigues (tema de Zé do Araguaia)
  11. "The Woman In Me (Need The Man In You)" - Shania Twain (tema de Rafaela e Marcos)
  12. "O Que Vem a Ser Felicidade" - Orlando Morais (part. esp. Dominguinhos (tema de Rafaela)
  13. "Cidade Grande" - Metrópole (tema geral)
  14. "Caminhando Só" - Evara Zan (tema geral)
  15. "Glory of Love" - Peter Cetera (tema de Bruno Mezenga e Luana)

Volume II

O Rei do Gado Volume II
Trilha sonora de Vários artistas
Gênero(s) Vários
Idioma(s) Vários
Formato(s) Vinil, K7
Gravadora(s) Som Livre

Capa: Almir Sater e Sérgio Reis

  1. "Cabecinha no Ombro" - Pirilampo e Saracura (tema geral)
  2. "Mia Gioconda" - Chrystian & Ralf (part. esp. Agnaldo Rayol) (tema de Jeremias Berdinazzi)
  3. "Pirilume" - João Paulo & Daniel (tema geral)
  4. "No Fim do Asfalto" - Orquestra da Terra (tema geral)
  5. "Cortando Estradão" - Pirilampo e Saracura (tema geral)
  6. "Vagabundo" - Pirilampo e Saracura (tema de Geral)
  7. "Sia Mariquinha" - Dominguinhos (tema geral)
  8. "Brasil Poeira" - Pirilampo e Saracura (tema geral)
  9. "Boiadeiro Errante" - Pirilampo e Saracura (tema geral)
  10. "Travessa do Rio Araguaia" - Pirilampo e Saracura (tema de geral)
  11. "Você Vai Gostar" - Pirilampo e Saracura (tema geral)
  12. "Rei do Gado" - Pirilampo e Saracura (tema geral)

Referências

  1. Memória Globo. O Rei do Gado - Ficha Técnica. Visitado em 14 de fevereiro de 1997.
  2. a b c d e f g h i j O Rei do Gado - Curiosidades Memória Globo Globo.com. Visitado em 2 de outubro de 2014.
  3. Daniel Castro (1° de outubro de 2014). Ministério libera, e Globo confirma reprise da novela O Rei do Gado Notícias da TV. Visitado em 1° de outubro de 2014.
  4. Fernando Oliveira (02 de outubro de 2014). De olho no público do Viva, Globo exibirá hits dos anos 90 no ‘Vale a Pena Ver de Novo’; ‘O Rei do Gado’ terá reprise R7 Mundo da TV. Visitado em 02 de outubro de 2014.
  5. Rafaela Santos (01 de outubro de 2014). Globo reprisará 'O rei do gado' no Vale a Pena Ver de Novo O Globo Patrícia Kogut. Visitado em 02 de outubro de 2014.
  6. a b Ministério libera, e Globo deve voltar a reprisar 'O Rei do Gado' Tribuna Hoje (1° de outubro de 2014). Visitado em 1° de outubro de 2014.
  7. a b c d e f g h i Nilson Xavier. O Rei do Gado - Teledramaturgia Teledramaturgia. Visitado em 02 de outubro de 2014.
  8. a b c d O Rei do Gado - Cenografia e Arte Memória Globo Globo.com. Visitado em 2 de outubro de 2014.
  9. a b Daniela Rochembuzo (2 de junho de 1996). "O Rei do Gado" grava em Ribeirão Preto Folha de São Paulo UOL. Visitado em 2 de outubro de 2014.
  10. O Rei do Gado - Produção Memória Globo Globo.com. Visitado em 2 de outubro de 2014.
  11. a b O Rei do Gado - Figurino Memória Globo Globo.com. Visitado em 2 de outubro de 2014.
  12. a b O Rei do Gado - Figurino e Caracterização Memória Globo Globo.com. Visitado em 2 de outubro de 2014.
  13. Erika Sallum (26 de dezembro de 1996). Televisão Folha de São Paulo UOL. Visitado em 2 de outubro de 2014.
  14. Elaine Guerini (9 de fevereiro de 1997). 'Rei do Gado' exibiu belas imagens, bons atores e festival de mancadas Folha de São Paulo UOL. Visitado em 2 de outubro de 2014.
  15. Quem desceu Folha de São Paulo UOL (9 de fevereiro de 1997). Visitado em 2 de outubro de 2014.
  16. Quem subiu Folha de São Paulo UOL (9 de fevereiro de 1997). Visitado em 2 de outubro de 2014.
  17. Quem fica na mesma Folha de São Paulo UOL (9 de fevereiro de 1997). Visitado em 2 de outubro de 2014.
  18. Laura Mattos (3 de agosto de 2003). "Mulheres Apaixonadas" é marco na tradicional estratégia de novelas Folha de São Paulo UOL. Visitado em 2 de outubro de 2014.
  19. Nova imagem Folha de São Paulo UOL (7 de setembro de 1996). Visitado em 2 de outubro de 2014.
  20. Ministério libera, e Globo deve voltar a reprisar O Rei do Gado Notícias da TV (1° de outubro de 2014). Visitado em 1° de outubro de 2014.
  21. Ministério libera, e Globo deve voltar a reprisar 'O Rei do Gado' Tribuna Hoje (1° de outubro de 2014). Visitado em 1° de outubro de 2014.
  22. Maria Lucia Rangel (19 de junho de 1996). Promessa; Atraso; Desconhecida; A Postos Folha de São Paulo UOL. Visitado em 2 de outubro de 2014.
  23. a b c d 'O Rei do Gado' recupera audiência Folha de São Paulo UOL (9 de fevereiro de 1997). Visitado em 2 de outubro de 2014.
  24. TV-Pesquisa (24 de novembro de 1996). Diretor já tem o nome de quem matou Ralf Jornal do Brasil. Visitado em 23 de maio de 2013.
  25. Daniel Castro (3 de fevereiro de 2001). Emissoras pressionam por padrão de TV digital Folha de São Paulo UOL. Visitado em 2 de outubro de 2014.
  26. Wilson Tosta (3 de setembro de 1996). PSDB acusa favorecimento a Conde Folha de São Paulo UOL. Visitado em 2 de outubro de 2014.
  27. Globo evita riscos para recuperar a audiência com "Terra Nostra" Folha de São Paulo UOL (15 de setembro de 1999). Visitado em 5 de julho de 2014.
  28. Francisco Martins da Costa (15 de maio de 1999). Rei da tarde Folha de São Paulo UOL. Visitado em 2 de outubro de 2014.
  29. Ministério libera, e Globo deve voltar a reprisar O Rei do Gado Notícias da TV (1° de outubro de 2014). Visitado em 1° de outubro de 2014.
  30. Ministério libera, e Globo deve voltar a reprisar 'O Rei do Gado' Tribuna Hoje (1° de outubro de 2014). Visitado em 1° de outubro de 2014.

Ligações externas

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