Cilinho – Wikipédia, a enciclopédia livre

MAIS

RESULTADOS [1 .. 51]
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Cilinho
Informações pessoais
Nome completo Otacílio Pires de Camargo
Data de nasc. 9 de fevereiro de 1939 (76 anos)
Local de nasc. Campinas, SP,  Brasil
Informações profissionais
Período em atividade 1969-2011 (42 anos)
Clube atual Aposentado
Times/Equipas que treinou
1966
1969–1970
1970
1972
1973–1974
1974
1975
1977
1978
1979
1981–1982
1982
1984–1986
1987
1987-1989
1989-1990
1991
1993
1994-1995
1996
1997
1999
2011–2012
Brasil Ferroviária[1]
Brasil Ponte Preta
República Democrática do Congo Mazembe
Brasil Portuguesa
Brasil Sport[2]
Brasil Ponte Preta[3]
Brasil Paulista[4]
Brasil Sport[2]
Brasil XV de Jaú[5]
Brasil Ponte Preta
Brasil XV de Jaú
Brasil Santos
Brasil São Paulo
Brasil Ponte Preta
Brasil São Paulo
Brasil Guarani
Brasil Corinthians
Brasil Portuguesa
Brasil Bragantino
Brasil XV de Jaú
Brasil São José
Brasil América-SP
Brasil Rio Branco-SP













17[6]


36

Otacílio Pires de Camargo, mais conhecido como Cilinho (Campinas[7] , 9 de fevereiro de 1939), é um ex-técnico brasileiro de futebol, responsável pela descoberta de vários talentos. Foi ele quem dirigiu o time do São Paulo que, na década de 1980, foi denominado "Menudos do Morumbi",[8] nome este devido à baixa idade do grupo e ao sucesso do grupo musical porto-riquenho Menudo[7] , conquistando os Campeonatos Paulistas de 1985 e 1987 e montando a equipe campeã brasileira de 1986, dentro de um estilo de jogo veloz e ofensivo.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Portuguesa[editar | editar código-fonte]

A primeira chance de Cilinho em um clube grande foi na Portuguesa, que anunciou sua contratação em 23 de agosto de 1972.[9] Dirigentes do clube foram até Campinas alguns dias antes, após a derrota para o Santos que custou o emprego de Wilson Francisco Alves, e conversaram com o técnico, que aceitou a oferta ali, mesmo.[9] Alves só seria notificado três dias depois, porque comandaria o clube em um amistoso na quarta-feira.[9]

"Conhecido por muitas pessoas como 'macumbeiro', introdutor de alguns hábitos novos dentro do futebol (realização de conferências para jogadores nas concentrações, obrigando-os a ler livros para aumentar sua cultura), uma das primeiras atitudes de Cilinho ao chegar à Portuguesa deverá ser a colocação de uma tabuleta na porta do vestiário, com o lema 'Nunca se realizou nada de grande sem muito entusiasmo'", escreveu o jornal O Estado de S. Paulo, para descrever o técnico.[9] A primeira recomendação dele ao novo clube foi que apressasse as obras dos novos alojamentos, pois ele queria poder servir café da manhã aos jogadores no próprio clube.[10]

Osvaldo Teixeira Duarte, presidente da Portuguesa, falou sobre suas expectativas: "Não poderia exigir muita coisa para o campeonato nacional, porque ele terá pouco tempo para dar uma estrutura ao time. Mas vou lhe pedir que faça um esforço e procure conseguir bons resultados no Nacional, porque a Portuguesa começa a ter algum sucesso. Tenho certeza de que não nos faltam jogadores e vou dar o máximo de apoio ao seu trabalho. Ele é um moço que sabe trabalhar com os jogadores, impondo-se pela argumentação, e é a pessoa que nós esperávamos."[10]

Após o primeiro treino, Cilinho deu seu diagnóstico sobre o time: "Não há versatilidade no futebol da equipe."[11] Em seguida, vaticinou seu prognóstico para o jogo contra o Corinthians, o último do clube no Campeonato Paulista: "Nós podemos ganhar, se houver muito empenho de todos os jogadores, mas será uma vitória estranha, porque o time está completamente desestruturado."[11] Mesmo "desestruturada", a Portuguesa venceu por 1 a 0.[12]

Às vésperas da estreia no Brasileiro, O Estado considerava que os pedidos de reforços do técnico estavam sendo atendidos: "Em pouco mais de dez dias, Cilinho já alcançou todas as condições favoráveis para armar um esquema de trabalho."[13] As contratações fizeram a frequência da torcida aumentar nos treinamentos do time.[13] A partida de estreia, contudo, foi interrompida no intervalo, devido às fortes chuvas em Porto Alegre, local do confronto contra o Internacional.[14] Sem abertura de contagem, a partida foi adiada e teria de ser jogada por inteiro novamente.[14] Cilinho gostou do pouco que viu: "Fizemos uma excelente partida, apesar do campo inteiramente encharcado."[15]

Em março de 1973, na terceira rodada do Campeonato Paulista, a Portuguesa empatou com a Ferroviária, no Canindé, por 2 a 2, depois de estar vencendo por 2 a 0.[16] O resultado aumentou a decepção pelo mau início no torneio (uma vitória, um empate e uma derrota em três jogos) e, após o jogo, parte da torcida pediu a demissão de Cilinho, na frente do acesso aos vestiários.[16] A diretoria não aguentou a pressão e demitiu o técnico, apesar de Duarte garantir ter sido contra a decisão: "Eu estava apreciando o trabalho do Cilinho, que qualifico de extraordinário. Ele fez um trabalho de base e, ultimamente, estava, mesmo, comandando uma equipe que eu chamo de suporte para o futebol, representada por médicos, preparadores físicos e massagistas. Mas a torcida não entendeu assim e exigiu a sua saída."[17]

O presidente explicou por que a pressão da torcida foi tão determinante: "Depois do jogo contra a Ferroviária, centenas de torcedores ficaram em frente aos vestiários pedindo a queda de Cilinho e, por isso, creio que não poderíamos segurá-lo. Se o segurássemos, correríamos o risco de fazer do Canindé uma verdadeira praça de guerra e de perdermos o apoio desses associados. Na fase em que estamos, não podemos perder o apoio de ninguém."[17]

Títulos[editar | editar código-fonte]

São Paulo

Referências

  1. Ari Borges. (8 de novembro de 1985). "Uma jogada de risco". Placar (807): 8. São Paulo: Editora Abril. ISSN 9770104176000.
  2. a b Lenivaldo Aragão. (11 de fevereiro de 1977). "A primeira impressão é que fica?". Placar (355): 19. São Paulo: Editora Abril. ISSN 9770104176000.
  3. Sérgio Martins. (9 de março de 1979). "Nem velha nem nova, é a Macaca forte". Placar (463): 33–36. São Paulo: Editora Abril. ISSN 9770104176000.
  4. (20 de abril de 1975) "A estréia de Cilinho, arma do Paulista". Folha de S. Paulo (16 840): 33. São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A.. ISSN 14145723.
  5. Sérgio Martins. (27 de julho de 1979). "Marolla quer voar do Jaú". Placar (483): 22C. São Paulo: Editora Abril. ISSN 9770104176000.
  6. Nelson Urt. (24 de agosto de 1987). "Cai a tradição". Placar (899): 43–45. São Paulo: Editora Abril. ISSN 9770104176000.
  7. a b Enciclopédia do Futebol Brasileiro Lance Volume 2. Rio de Janeiro: Aretê Editorial S/A, 2001. p. 423. ISBN 8588651017
  8. Cilinho (em portugues) Futpédia. Visitado em June 17, 2009.
  9. a b c d (24 de agosto de 1972) "Cilinho começa na lusa (sic) amanhã". O Estado de S. Paulo (29 877): 38. São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. ISSN 15162931.
  10. a b (25 de agosto de 1972) "Cilinho só quer apoio para melhorar a Lusa". O Estado de S. Paulo (29 878): 22. São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. ISSN 15162931.
  11. a b (26 de agosto de 1972) "Cilinho assume e mostra falhas". O Estado de S. Paulo (29 879): 16. São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. ISSN 15162931.
  12. (29 de agosto de 1972) "Duque perde primeira na estréia (sic) de Cilinho". O Estado de S. Paulo (29 881): 26. São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. ISSN 15162931.
  13. a b (7 de setembro de 1972) "Portuguesa quis contratar Riva". O Estado de S. Paulo (29 889): 62. São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. ISSN 15162931.
  14. a b (10 de setembro de 1972) "Chuva interrompe a 1.a partida do campeonato". O Estado de S. Paulo (29 892): 42. São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. ISSN 15162931.
  15. (12 de setembro de 1972) "Cilinho exigirá cautela amanhã". O Estado de S. Paulo (29 893): 36. São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. ISSN 15162931.
  16. a b (25 de março de 1973) "Lusa empata e Cilinho é acusado". O Estado de S. Paulo (30 057): 52. São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. ISSN 15162931.
  17. a b (27 de março de 1973) "Cilinho cai, Lusa procura técnico". O Estado de S. Paulo (30 058): 28. São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. ISSN 15162931.


Powered by YouTube
Conteúdo da Wikipedia está licenciado sob a: GFDL e Creative Commons