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Bronisław Kasper Malinowski (Cracóvia, 7 de Abril de 1884New Haven, 16 de Maio de 1942) foi um antropólogo polaco. Ele é considerado um dos fundadores da antropologia social. Fundou a escola funcionalista. Suas grandes influências incluiam James Frazer e Ernst Mach.

Segundo o antropólogo Ernest Gellner, Malinowski tomou uma posição original em relação aos conflitos de ideias do seu tempo. Ele não repudiou o nacionalismo, uma das ideologias nascentes e marcantes do século XIX. Mas ele fusionou o romantismo com o positivismo de uma nova maneira, tornando possível investigar as velhas comunidades mas ao mesmo tempo recusando conferir autoridade ao passado. Ele rejeitou a especulação evolucionista e a manipulação do passado para fins do presente, pecados vulgares do seu tempo.

Sem dúvida, a principal contribuição de Malinowski à antropologia foi o desenvolvimento de um novo método de investigação de campo, cuja origem remonta à sua intensa experiência de pesquisa na Austrália, inicialmente com o povo Mailu (1915) e posteriormente com os nativos das Ilhas Trobriand (1915-16, 1917-18).

Introdução. Vida e obras, pesquisas e críticas[editar | editar código-fonte]

Bronislaw Malinowski nasceu em 1884 na Cracóvia (Polônia). Inicialmente, se formou em Ciências Exatas, mas abandonou e, parado, dedicou a ler The Golden Bough (tr. O Ramo Dourado) de James Frazer[1] . Tal leitura iria direcionar sua pesquisa de campo por toda vida, assim mostra o conteúdo de suas obras: expressões da espiritualidade humana; compreensão do funcionamento da mente primitiva; reflexões sobre a vida e a morte, a humanidade e a animalidade, divindade e imortalidade; a magia como forma de controlar a natureza e garantir a sobrevivência humana; a influencia do sexo sobre a vegetação; o Tabu e os perigos da alma (precauções que protegem o indivíduo e a sociedade); a coerência lógica entre os “selvagens”; os sistemas de regras que se combinam formando um todo bastante completo e harmonioso e etc. Todos os relatos trazidos por Malinowski sobre os nativos em suas obras deixam nítidos as influencias que herdou do pensamento de James Frazer.

Em Leipzig (Alemanha) foi orientado por Karl Bücher e Wilhelm Wundt para então ir à London School of Economics em 1910. Mais tarde publicou a primeira obra: The Family among the Australian Aborigenes (1913) onde criticou duramente o evolucionismo e provou conhecimento teórico. Para Malinowski, o evolucionista Morgan havia desorientado por gerações a pesquisa antropológica com o sistema classificatório de termos para parentes quando o demonstrou como aquilo que já foi e hoje já não é mais DUHAN (1986). Da mesma forma, Gräbner, outro evolucionista, teria desenvolvido uma abordagem antifuncional imbecil, que não estabelecia relação de objetos com propósitos e uso pessoal (Ibidem).

A crítica contra a abordagem antifuncional presente em Malinowski foi desenvolvida devido a uma grande influência absorvida da obra de Durkheim (tipo primitivo da divisão do trabalho social e a análise da religião e magia), essa mesma influência causada pelas ideias de Durkheim em Malinowski foi provocada em Radcliffe-Brown acerca do funcionalismo e com isto os Antropólogos costumam dizer que Malinowski e Radcliffe-Brown são os precursores do funcionalismo na antropologia. Todavia Malinowski atribui investigações antropológicas funcionais na época evolucionista: Tylor (no seu livro de 1871: Primitive culture) e a correlação dos aspectos do parentesco antigo com a vida econômica; Robertson Smith e a noção da indispensável dimensão sociológica para se compreender a fé primitiva; Summer e a classificação das primeiras normas de comportamento; Bücher e a relação de trabalho na economia primitiva com as canções rítmicas, entre outros (1986: 170). Assim, as considerações de Malinowski levam a crer que ele não se situa como o pai do funcionalismo, mas como o pioneiro de um “Funcionalismo Etnográfico” ou “Etnografia Funcionalista” na antropologia, até porque Radcliffe-Brown era Estrutural-Funcionalista.

No século XIX, Haddon, Rivers e Seligmam realizaram expedições Cambridge ao Estreito da Torre. Rivers estava em Todda, em 1901 e Spencer e Gillin na Austrália. Já Seligmam realizou observação direta com Melanésios dez anos antes de Malinowski, em 1904. Franz Boas nos Eua representada o culturalismo, estando entre os esquimós. A diferença é que quando Malinowski embarcou um pouco depois para as Ilhas Mailu, em 1914, não embarcou apenas para realizar a observação direta como os pesquisadores anteriores, mas para dar início ao método Etnográfico de pesquisa, desempenhando o Funcionalismo na observação. O Funcionalismo desenvolvido em sua pesquisa deveu-se a organização dos dados coletados em quadro sinopse que ele mesmo inventou, tal quadro registrava e correlacionava acontecimentos da vida cotidiana entre os nativos ao longo do tempo em que passou em campo.

Sr. James Frazer deixa nítido o pioneirismo de Malinowski dentro da Antropologia no prefácio do livro "Argonautas do Pacífico Ocidental", ainda tratando a ciência exercida por este como Sociologia. Frazer elogia a disposição de Malinowski em penetrar nos motivos que fundamentam as trocas do Kula bem como nos sentimentos que as trocas provocam nos nativos (MALINOWSKI: 1922), argumenta que a simples descrição de atos sem qualquer referência ao estado mental do agente não vai de encontro aos propósitos da sociologia, cujo objetivo não é apenas registrar, mas entender o comportamento humano na sociedade (IDEM: IBDEM). As palavras de Frazer situam a importância de Malinowski dentro das Ciências Sociais e ainda na fundamentação de uma nova ciência, a ciência Antropológica.

Malinowski esteve entre os Mailu durante seis meses e antes de embarcar para as Ilhas Trobriand, em Julho de 1915, parou na Austrália para analisar os dados já coletados. Tal material analisado foi enviado à Inglaterra e logo publicado, deixando a Inglaterra ciente da inovação técnica do trabalho de campo desenvolvido por ele, antes mesmo de retornar ao país. Impedido desse retorno por ser Polonês no tempo da Primeira Guerra Mundial e tendo complicações em sua estadia mal vista na Austrália, com a ajuda de Seligmam embarcou mais vez uma vez para campo, para as Ilhas Trobrian, onde permaneceu até Maio de 1916. Mais tarde, em Outubro de 1917 retornou uma vez mais às Ilhas Trobriand para então escrever a primeira monografia: Argonautas do Pacífico Ocidental, em Tenerife, já ameaçado pela tuberculose. Só retornou à Inglaterra em 1921.

Por ter passado muito tempo “etnografando”, Malinowski coletou um material que permitiu a inovação técnica do trabalho de campo e sua inteligência colaborou na compreensão da língua nativa e correlação de fatos. A respeito da compreensão de Malinowski com a língua nativa declara Frazer: “Pode ele dessa maneira (sem intérprete) compilar uma multiplicidade de dados de alto valor científico referentes à vida social, religiosa e econômica dos nativos das Ilhas Trobriand” (MALINOWSKI: 1922). Contudo Malinowski não dispensou informantes que falavam o inglês pidgin , obtendo deles principalmente informações geográficas do local.

A primeira disciplina criada para ele foi introduzida na Universidade de Londres, em 1927 e depois de ter passado um período lecionando voltou a realizar etnografia, agora na África do Sul (1934). Pouco tempo depois escreveu o prefácio do livro Nós os Tikopia, de Raymond Firth (1936), onde retoma as críticas aos evolucionistas, sintetizando a união com Firth e com outros estudantes para “redemolir” Morgan e Bachofen.

Malinowski permaneceu na África do Sul apenas por três meses, viajando para os Eua em 1938. Em seguida, após ter estudado os mercados Indígenas do México, faleceu em New Haven de 1942, durante a Segunda Guerra Mundial.

Breves considerações acerca da Importância e das falhas de Malinowski[editar | editar código-fonte]

Eunice Ribeiro Durham enfatiza no seu livro DURHAM (1986) que B. Malinowski colhia dados de maneira bastante segura, assim pode ser entendido o porquê do abandono sobre a ideia da incoerência na vida primitiva entre os pesquisadores após ter ele apresentado seu trabalho. Malinowski atribui a incoerência da vida primitiva à falha de observação passadas, e a partir disso reconstruiu um universo específico de outra cultura repleta de significados (DURHAN: 1986: 10). Ainda segundo Durhan, Malinowski levava em consideração na análise não só a ação, mas também a representação da ação, atingindo os verdadeiros significados dos fenômenos culturais quando mostra uma unidade multidimensional como fato social. A instituição trobiandesa do Kula tão bem descrita por ele era uma troca nativa repleta de significados materiais, sociais e simbólicos, que engloba aspectos econômicos, jurídicos, mágico-religioso. Para Eunice Durhan, as falhas de Malinowski se deram no momento em que ele se prendeu a buscar uma relação direta entre o particular e o universal, pois teria assim perdido a explicação da diversidade cultural e da produção das semelhanças e das diferenças (IDEM: 15).

Entretanto,a pesquisa de Malinowski junto as Ilhas Trobiands fez dele um inovador na forma em coletar dados de campo, a partir dele a pesquisa social adquiriu um caráter mais envolvente com o objeto de pesquisa estudado e o pesquisador passou a participar diretamente do cotidiano social observado. Malinowski dedicou boa parte da vida na observação etnográfica, coletando dados que por ele eram vivenciados, correlacionados e entendidos, influenciando as ciências humanas, tanto na geração de pesquisadores contemporâneos a ele quanto em geração de pesquisadores posteriores, principalmente por ter ele percorrido diversos campos do saber em suas observações de campo. Malinowski observou o campo sob domínios de conhecimento advindos da psicologia, da economia, da religião, da sexualidade, entre outros saberes das ciências humanas. Essa característica própria de tentar tratar de tantos assuntos ligados à vida do homem no meio social advém de um longo tempo de trabalho etnográfico. Estranho seria se um Antropólogo passasse diversos anos convivendo cotidianamente com o seu campo de estudo e se limitasse apenas a tratar de um único assunto ou observar um único fato. O olhar Antropológico de Malinowski não se contentaria em limitar as observações de campo e por isso, muitas vezes, parte de suas teorias foram menos acabadas. Porém qualquer consideração que destrate a importância reconhecida de Malinowski dentro das Ciências Sociais são meramente desconhecedoras do impulso funcional aos dados descritivos que seu trabalho promoveu ou simplesmente não reconhece a façanha antropológica que ele elaborou estando em campo .

Malinowski sobre o Kula[editar | editar código-fonte]

“Eles apenas falam da sua própria experiência quando perguntados sobre o kula, mas não tem idéia sociológica da instituição”.

As regras das trocas que acontecem no Kula foram por Malinowski assistidos e analisados como relações sociais das quais emergem o poder, os mitos, os aspectos econômicos, etc. Malinowski elege o Kula como um fenômeno social porque observa que tal instituição do universo “selvagem” constrói um mundo repleto de significados, assim demonstra o conjunto de regras do Kula a partir das trocas do Soulava e do Mwali (braceletes brancos e colares vermelhos) e transcreve as palavras dos nativos: “uma vez no Kula, sempre no Kula” (IDEM: 85). O antropólogo observa que a cerimônia de troca nativa representa relações que irão fazer permutar uma grande variedade de bens consideráveis indispensáveis entre os povos tribais das Ilhas do Pacífico. Muitas atividades interligadas a instituição do Kula como à construção de canoas, as cerimônias fúnebres e os tabus preparatórios foram descritas por Malinowski, mas a importância dada ao Kula por Malinowski não era a mesma conhecida pelos nativos: “A imagem do todo não existe em sua mente” (IBDEM: 87).

Os nativos de Sinaketa que irão receber braceletes brancos do Norte e passá-los para as pessoas da ilha do sul, também irão presentear pessoas do norte com colares vermelhos formando uma regra precisa de relação de troca para o resto da vida. Dessas relações as pokatas (oferendas) e os kaributu (presentes de solicitação) serão também trocados. Na cerimônia do Kula, o materialismo histórico é duramente criticado por Malinowski, pois os Trobiandeses demonstram, durante a prática do Kula, que o ser humano busca mais do que vantagens puramente utilitárias (MALINOWSKI: 1922). Assim, sem dar margens às críticas pela importância que atribuía ao ritual do Kula, Malinowski comprara a inutilidade dos objetos trocados pelos nativos de Trobiands com a inutilidade de alguns objetos que a coroa inglesa mantêm no castelo de Windsor, declarando que os Vaygu’a (os bens do Kula) são objetos valorizados pelos seus aspectos históricos (MALINOWSKI: 1922) e são, portanto, capazes de serem identificados como algo além de objetos inúteis.

Aspectos do mundo reprodutivo[editar | editar código-fonte]

Malinowski foi o primeiro antropólogo de campo a observar a representação fisiológica da reprodução na representação de uma sociedade tradicional. A ênfase atribuída por ele a um aspecto considerado subjetivo na pesquisa de campo o aproximou da lógica e da importância da fertilidade num sistema social diferenciado. Malinowski captou as conversas nativas sobre o poder da reprodução humana, desempenhado pelo corpo feminino juntamente com o mundo espiritual (o Baloma), em detrimento do conhecimento da paternidade fisiológica dos nativos. Em Magia, Ciência e Religião (1948), Malinowski argumenta outros fatos que distanciam o sêmen masculino da produção de um filho, como as histórias sobre as mulheres feias “assexuadas” que tiveram muitos filhos. Anteriormente, Malinowski já havia inciado essa observação ao mundo reprodutivo quando esteve nas ilhas Mailu, em 1914, no ensaio "crença e costume sobre procriação e gravidez" . Os nativos da praia, segundo Malinowski, acreditam que o Baloma espiritual entra na vagina feminina após um banho de mar e deixa a mulher grávida e que as meninas que ainda não menstruam (solteiras) tomam banho de mar e não engravidam porque não há passagem para o Baloma entrar (1914:1948:128).

Os espíritos procriativos percebidos por Malinowski serviram de guia para pesquisas posteriores que desejavam conhecer a representação que os povos nativos fazem do mundo reprodutivo. No mesmo sentido Vítor Turner em sua obra "O processo ritual" entendeu que os Ndembos da África Central acreditam que são os ancestrais mortos os responsáveis pela fertilidade das mulheres descendentes da mesma linhagem.

Experimentando em campo as idéias da psicanálise acerca da sexualidade[editar | editar código-fonte]

Em Sexo e Repressão na Sociedade Selvagem (1927), Malinowski experimenta, observando a sexualidade entre os povos Trobriandeses, algumas das conclusões psicanalistas sobre a formação de complexos no desenvolvimento da vida humana. Segundo Freud, a repressão ao mundo sexual é fator determinante para a formação de complexos, teoria que Malinowski confirma como válida após perceber que em Trobriands os complexos são bem reduzidos, pois não há quebra no livre desenvolvimento da sexualidade. A passagem do mundo infantil para o mundo adulto (nos termos da sexualidade) acontece de maneira menos gradativa que nas sociedades ocidentais.

Malinowski também verifica em campo a teoria Freudiana sobre a relação profunda que há entre o curso da sexualidade infantil e a ocorrência de perversões na vida mais tarde e conclui que a ausência da quebra no livre desenvolvimento da sexualidade (a falta da repressão sexual) em Trobriands é o motivo para a presença da demasiada homossexualidade no local. No entanto, a teoria da psicanálise é confrontada por Malinowski quando Sigmund Freud se afasta da noção de formação de complexo como preocupação da Psicologia, para tentar adentrar no campo da Antropologia, simulando uma explicação para o aparecimento da cultura.

A repressão à sexualidade ou as regras sociais que inibem o “livre desenvolvimento da sexualidade” era tida por Freud, segundo Malinowski, como a causa do aparecimento da cultura, em detrimento dos acervos que de fato simbolizam a cultura: a linguagem, a organização familiar, as posses materiais e as instituições religiosas. O crime primevo, da teoria Darwiniana, que aparece significando o salto da natureza para cultura na obra de Freud foi o estopim para a crítica de Malinowski à Psicanálise, que declara impraticável pensar esse salto importante na história da humanidade através da observação laboratorial a vivência numa horda de antropóides (1927).

Outra crítica que Malinowski dirige à psicanálise diz respeito a formação da família “universal” no complexo de Édipo, pois há em Trobriands ausência de repressão entre alguns relacionamentos previstos como conflitantes, segundo a teoria de Freud. Em sociedades moldados por arranjos familiares diferenciados como Trobriands, a organização da família descaracteriza o perfil do pai como repressor, pois é o irmão da mãe a pessoa que detem autoridade, o principal provedor da horda do menino e da mãe do menino. O tio materno é a figura a quem o menino recorre quando tem algum problema no ambiente patrilocal, e sendo Trobriands uma organização de famílias matrilineares, o menino nunca se sente tão a vontade na casa do pai quanto se sente na casa do tio. O tio materno guarda para o sobrinho os objetos adquiridos ao longo da vida, da mesma forma que o sobrinho se esforça para orgulhar primeiramente o irmão da mãe. Malinowski afirma que a figura de autoridade para o filho ou filha em Trobriands é o irmão da mãe (1927: 64), pois se é o irmão da mãe que trabalha em favor da horda do sobrinho é para com ele que o menino deve manter respeito e temor. O menino de Trobriands encara o pai como um companheiro legal, sem autoridade, o pai é apenas um companheiro com quem divide o lar.

Os arranjos do complexo de Édipo freudiano certamente não se encaixam na organização familiar trobriandesa, da mesma maneira, os arranjos econômicos no interior da família Trobriandesa não são os mesmos verificados na organização social que Freud focava em sua análise. Parte do esquecimento da cultura à crítica que Malinowski atribui à teoria de Freud, pois teria Freud analisado apenas a família patrilinear ariana, originada da cultura romana. Nesse sentido, Malinowski afirma:

"Pois 'a família' não é a mesma em todas as sociedades humanas. Sua natureza muda em grande medida com o grau de desenvolvimento e a classe de civilização de um povo e também não é idêntica em diferentes etapas de uma mesma sociedade, de acordo com o que se pensa ainda hoje na antropologia popular."[2]

Entretanto, a visão de Malinowski como um antagonista da psicanálise é incompatível com as próprias palavras desse autor:

"A psicanálise tem criado o fundamento correto para a psicologia dos primitivos, pois tem ressaltado que o interesse dos primitivos concentra-se em si mesmos como também nas pessoas do seu entorno e que ele é de natureza libidinal, o que até agora estava envolvido em falsas concepções sobre o interesse não-afetivo dos homens pela natureza e pelas suas especulações filosóficas sobre o Ser-ai e o Destino."[3]

O surgimento da cultura[editar | editar código-fonte]

A proibição do incesto, segundo Malinowski, seria o alicerce da natureza para a cultura (1927), um pensamento antropológico que tem seu mérito atribuído equivocadamente ao antropólogo belga Claude Lévi-Strauss. Bronislaw Malinowski mostra através da obra Sexo e Repressão na Sociedade Selvagem ter sido o pioneiro no entendimento do ato universal de evitar a mãe e em concluir que tal proibição fez resultar o aparecimento da cultura. Apesar de criticar aos evolucionistas, em especial Morgan, foi de uma ideia evolucionista -a primeira horda matrilinear- que fez Malinowski obter tal conclusão.

O horror do incesto com a mãe no ser humano é antigo e significa, segundo Malinowski, a primeira ideia de pertencimento a um ambiente social e da obediência à normas sociais. A proibição do incesto diz respeito a um arranjo matrimonial, uma iniciativa de organização social que nos diferenciam dos animais irracionais.

A proposta de Darwin que traz o parricídio como o divisor entre a natureza e a cultura não pode, nas palavras de Malinowski, ser levada em consideração, pois “a cultura faz parte de um processo gradual, ela não apareceu de uma hora para outra” (1927). Todavia, Malinowski considera as teorias da psicanálise fundamentais para a análise de uma sociedade, aproximando a ciência da mente humana com a ciência do comportamento humano.

Na antropologia contemporânea, Malinowski continua sendo importante para pesquisadores e estudantes que desejam realizar Etnografia, principalmente quando a pesquisa é referente a povos tradicionais. Não houve até agora o surgimento de uma metodologia de pesquisa mais segura que a Etnografia, desenvolvida por ele. A observação descritiva coberta de funcionalidade que desenvolveu durante os trabalhos etnográficos na Melanésia enriqueceu a produção científica do mundo todo e continua a eriquecer as produções academicas atuais.

Referências

Posições universitárias[editar | editar código-fonte]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Crenças e costumes nativos sobre procriação e gravidez (1914)
  • Os Argonautas do Pacífico Ocidental (Argonauts of the Western Pacific, 1922). Coleção Os Pensadores, Abril Cultural, 1976.
  • Magia, Ciência e Religião (Magic, Science, and Religion, 1948)
inglês
  • The Family Amoong the Australian Aborigenes (1913)
  • The Scientific Theory of Culture (1922)
  • Crime e Costume na Sociedade Selvagem (Crime and custom in Savage Society, 1926)
  • Sex and repression in Savage Society (1927)
  • The Sexual Life of Savages in North-Western Melanesia (1929)
  • Coral Gardens and Their Magic: A Study of the Methods of Tilling the Soil and of Agricultural Rites in the Trobriand Islands (1935)
  • The Dynamics of Culture Change (1961)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Durham, Eunice Ribeiro. Bronislaw Malinowski: antropologia. São Paulo: Atica, 1986.
  • Malinowski, B.. A Diary in the Strict Sense of the Word (em inglês). New York: Harcourt, Brace & World, 1967.
  • Malinowski, B.. A Scientific Theory of Culture and Others Essays (em inglês). Chapel Hill, N. Carolina: The University of North Carolina Press, 1944.
  • Malinowski, B. Argonauts of the Western Pacific. An Account of Native Enterprise and Adventure in the Archipelagoes of Melanesian New Guinea (em inglês). London: Routledge, 2005. (Com um prefácio por Sir James George Frazer)
  • Malinowski, B.. Coral gardens and their magic (em inglês). London: Allen & Unwin, 1935.
  • Malinowski, B. Magic, Science and Religion and Other Essays (em inglês). Glencoe, Illinois: The Free Press, 1948.
  • Malinowski, B.. Myth in primitive psychology (em inglês). London: Norton, 1926.
  • Malinowski, B. ({{{mês}}} 1924). "Psycho-Analysis and Anthropology" (em inglês). Psyche: A Quarterly Review of Psychology 4 (4): 293−332.
  • Malinowski, B.. Sex and Repression in Savage Society (em inglês). London: Kegan Paul, Trench, Trubner & Co., 1927.
  • Malinowski, B.. In: P.M. Kaberry. The Dynamics of Culture Change: An Inquiry Into Race Relations in Africa (em inglês). New Haven: Yale University Press, 1946.
  • Malinowski, B. The Early Writings (em inglês). Cambridge: Cambridge University Press, 1993.
  • Malinowski, B.. The Sexual Life of Savages in North-Western Melanesia. An Ethnographic Account of Courtship, Marriage, and Family Life Among the Natives of the Trobriand Islands, British New Guinea (em inglês). London: [s.n.], 1929.

Leituras adicionais[editar | editar código-fonte]

  • Firth, Raymond. Man and culture: an evaluation of the work of Bronislaw Malinowski (em inglês). London: Routledge, 1960.
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