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Cerbera tanghin

Cerbera tanghin
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Gentianales
Família: Apocynaceae
Gêneros
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Apocynaceae é uma família botânica da ordem Gentianales que inclui cerca de 5 000 espécies, classificadas em 450 gêneros divididos em cinco subfamílias. Ocorrem principalmente em climas tropicais e subtropicais nos quatro continentes, excetuando-se a Antártica. Algumas apocináceas comuns são oleandro, rosa-do-deserto e janaúba. No Brasil, ocorrem cerca de 750 espécies, distribuídas por 60 gêneros, habitando diversas formações vegetais.[1]

Características gerais[editar | editar código-fonte]

Catharanthus roseus da subfamília Rauvolfioideae.
Catharanthus roseus da subfamília Rauvolfioideae.
Cryptolepis buchananii da subfamília Periplocoideae.
Cryptolepis buchananii da subfamília Periplocoideae.
Secamone elliptica da subfamília Secamonoideae.
Secamone elliptica da subfamília Secamonoideae.

As plantas da família Apocynaceae podem ter a fisiologia de uma erva, uma árvore ou uma trepadeira e caracterizam-se pela presença de látex, estípulas geralmente ausentes, folhas geralmente opostas e inteiras, inflorescência raramente com flores solitárias, flores pentâmeras (exceto o gineceu), estiletes unidos no ápice formando uma cabeça ampliada e por frutos usualmente bifoliculares com sementes geralmente comosas.[2]

Subfamílias[editar | editar código-fonte]

A família Apocynaceae inclui cinco subfamílias: Rauvolfioideae, Apocynoideae, Periplocoideae, Secamonoideae e Asclepiadoideae.

Rauvolfioideae[editar | editar código-fonte]

A subfamília Rauvolfioideae inclui mais de dez tribos e 850 espécies.[3] As plantas têm anteras completamente férteis separadas entre si e do gineceu. O desenvolvimento de variados tipos de frutos diferencia esta subfamília das demais da família Apocynaceae, onde quase sempre são produzidos frutos foliculários.[2]

Apocynoideae[editar | editar código-fonte]

A subfamília Apocynoideae contêm cerca de 78 gêneros com aproximadamente 860 espécies. As diversas espécies desta subfamília têm propriedades farmacológicos. As anteras são parcialmente férteis fundidas ao gineceu da flor.[2]

Periplocoideae[editar | editar código-fonte]

Esta subfamília cerca de 17 gêneros e 85 espécies.[4] As flores são bissexuais e produzem pólen em tétrades, frequentemente arranjadas em polínios, e translador espatuliforme, com disco adesivo.[2]

Secamonoideae[editar | editar código-fonte]

Têm por característica, assim como as Periplocoideae, pólen em tétrades arranjadas em polínios, e transladores com retináculo, mas sem caudículos.[2] São em sua maioria plantas trepadeiras.[5]

Asclepiadoideae[editar | editar código-fonte]

Inclui mais de 214 gêneros e aproximadamente 2 400 espécies do tipo erva sendo raramente arbusto ou árvore.[6] Diferencia-se pelas anteras bisporangiadas, o pólen em polínios, envolvidos externamente por uma membrana, e translador composto por um retináculo e dois caudículos.[2]

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

A família é constituída por cerca de 5 100 espécies.[7] Apocynoideae , Asclepiadoideae , Periplocoideae , Rauvolfioideae e Secamonoideae são as cinco subfamílias da família Apocynaceae desde 2012. [7] A antiga família Asclepiadaceae foi incluída nas subfamílias da Apocynaceae de acordo com o sistema APG III.[8] Uma classificação atualizada, incluindo 366 gêneros, 25 famílias e 49 subfamílias, foi publicado em 2014 (Endress 2014).[9]

Distribuição e habitat[editar | editar código-fonte]

As Apocynaceae estão representadas em todos os continentes, excepto na Antártica. A maioria das espécies ocorre nas regiões tropicais e subtropicais de todo o mundo. A família compreende espécies de ampla distribuição, como a erva pantropical Asclepias curassavica L. e espécies endémicas de áreas restritas, como a Ditassa diamantinensis, exclusiva da região de Diamantina, no estado de Minas Gerais, Brasil.

As Apocynaceae ocorrem desde o nível do mar até elevadas altitudes, principalmente em solos secos.

Polinização[editar | editar código-fonte]

A polinização das Apocynaceae é realizada por vários insectos (raramente pássaros, em plantas paleotropicais), o que explica a grande diversidade e complexidade das estruturas florais. Os principais polinizadores são himenópteros, lepidópteros e dípteros.

As sementes são predominantemente dispersadas pelo vento, mas, no caso dos frutos indeiscentes ou de sementes ariladas, a zoocoria parece estar presente.

Importância ecológica[editar | editar código-fonte]

Com relação a sua importância ecológica, podem-se destacar funções como hospedeiro para pouso; forrageamento da avifauna; e fornecedor de nicho ecológico para muitas espécies de insectos.

Em zonas litorais costeiras, algumas Apocynaceae integram as formações vegetais fixadoras das dunas.

Usos económicos[editar | editar código-fonte]

São inúmeros os usos económicos das espécies pertencentes a esta família, entre as quais podemos destacar:

  • Fonte de fibras para cordas e fios utilizados em artesanato.
  • Ramos fortes e flexíveis usados como vara de pescar.
  • Venenos para flechas de caça são extraídos de algumas de suas espécies.
  • Fornece madeira para a construção civil e produção de móveis e ferramentas (peroba).
  • Borracha e goma de marcar são produzidas a partir do látex e a coma das sementes é utilizada no enchimento de travesseiros e almofadas.
  • Importantes fontes de compostos bioactivos.
  • Cultivadas e comercializadas como plantas ornamentais.

Gêneros[editar | editar código-fonte]

A Apocynaceae está entre as dez maiores famílias de angiospermas, estando identificadas pelo menos 450 gêneros distintos agrupando as cerca de 5 000 espécies reconhecidas. A lista que se segue, muito longe de ser exaustiva, lista os gêneros mais comuns ou com maior importância etnobotânica.

Referências

  1. Giulietti, Ana Maria. Plantas raras do Brasil. Belo Horizonte: Conservação Internacional, 2009. p. 54. ISBN 978-85-98830-12-4
  2. a b c d e f Alessandro Rapini: Sistemática Vegetal: Embriófitas (PDF) p. 181. Universidade Estadual de Feira de Santana. Visitado em 5 de fevereiro de 2015.
  3. Vilalba-Ferreira, Carla. Morfoanatomia de espécies de frutos neotropicais da tribo Tabernaemontaneae (Apocynaceae, Rauvolfioideae). Universidade Estadual de Campinas, Campinas. Página visitada em 5 de fevereiro de 2015.
  4. Apocynaceae subfamília Periplocoideae Zimbabweflora. Visitado em 5 de fevereiro de 2015.
  5. Renaud Lahaye, Laure Civeyrel, Thomas Speck e Nick P. Rowe: Evolution of shrub-like growth forms in the lianoid subfamily Secamonoideae (Apocynaceae s.l.) of Madagascar: phylogeny, biomechanics, and development (em inglês) American Journal of Botany. Visitado em 5 de fevereiro de 2015.
  6. Encyclopedia Britannica: Asclepiadoideae (2013). Visitado em 5 de fevereiro de 2015.
  7. a b The taxonomy and systematics of Apocynaceae: where we stand in 2012; Nazia Nazar, David J. Goyder, James J. Clarkson, Tariq Mahmood and Mark W. Chase; Botanical Journal of the Linnean Society, Volume 171, Issue 3, pages 482–490, March 2013, [1]
  8. Angiosperm Phylogeny Group. (2009). "An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III" (em inglês). Botanical Journal of the Linnean Society 161: 105–121. DOI:10.1111/j.1095-8339.2009.00996.x.
  9. Endress M.E., Liede-Schumann S. & Meve U.. (2014). "An updated classification for Apocynaceae" (PDF) (em inglês). Phytotaxa 159: 175–194. DOI:10.11646/phytotaxa.159.3.2.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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